Uma troca de olhares foi tudo o que bastou para que um calafrio subisse pela espinha. Como um trovão que se choca contra a água, tudo ficou estático. Se ela sorrisse, seria o fim.
Eles eram apenas laços e compassos, dançando na eternidade e no fogo da paixão. Um compasso que não se cansava de girar, formando um círculo perfeito, um ciclo sem qualquer defeito.
Almas sem fim.
Dois corpos de fogo, de água e de amor. Coisas totalmente opostas que se abraçariam e selariam num beijo as palavras que soaram como promessas. Era apenas questão de tempo até se ter certeza de que a química entre os olhares era verdadeiramente incessante.
Incessante como o brilho de suas mentes.
Ele a tocou. Faíscas saíram de seus dedos leves e penetraram a pele suave, esquentando-a por dentro com um baque de desejo. Ela se aproximou, encurtando o espaço entre os dois para quase nada. Havia agora apenas a respiração ardente e o sorrir profundo, consumindo-os com igual intensidade.
Enterrados sob as camadas do calor corporal, eles se beijaram. Olhos fechados, pensamentos impenetráveis, abertos apenas aos dois. Pura química, um vínculo traçado pela sedução.
Ela sorriu, abalando seu coração e preenchendo-o com felicidade.
Foi o fim.

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